22 de Nov de 2017
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De acordo com professor e psicólogo, uso não substitui aulas presenciais e deve ser consciente para evitar armadilhas

Por: Igor
27 de Out de 2017
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As redes sociais têm sido uma ferramenta importante para muitos estudantes na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro dia de provas, eles aproveitam para revisar os conteúdos e não dispensam os grupos de estudos virtuais e conteúdos online.

Para Arthur Lima, de 17 anos, o sonho de cursar Medicina é perseguido com um cronograma intenso de estudos. Com aulas em tempo integral, ele utiliza as horas vagas para revisar os assuntos nas redes sociais: Vídeos no Youtube, grupos de estudo no Whatsapp e discussões no Facebook são a aposta do rapaz.

“Eu tenho certa dificuldade em estudar só por longos períodos. Então, eu optei por cursar um ensino integral nesse último ano do médio. O que me ajuda a gastar o tempo de forma mais eficiente e, assim, utilizo o período de fim de dia para revisar os conteúdos estudados.

Arthur conta que utiliza as redes sociais para estudar antes mesmo da preparação para o Enem. Além de receber ajuda de outros estudantes, os professores também auxiliam tirando dúvidas e reforçando alguns conteúdos.

“No geral, desde que entrei no ensino médio, eu uso. Em princípio, nos grupos de ciências exatas, por ser uma área que me dedico mais. Posteriormente, entrei nos grupos de estudo extra acadêmico e, agora no último ano, me dediquei mais ao grupo de redação. Lá no grupo de redação, contamos com o apoio dos nossos professores de redação e português que auxiliam divulgando matérias com conteúdos pertinentes e corrigindo redações de teste pelas redes sociais”, explica.

Edoarda Delpine, de 17 anos, costuma usar o Facebook  para estudar por meio de videochamadas. Ela também afirma que acessa vídeos de professores no Instagram, além dos grupos de mensagens instantâneas.

“Uso para  assistir vídeos que geralmente os professores postam (Facebook e Instagram), também uso o Facebook para estudar com outras pessoas por videoconferência. Eu resolvi “deixar” as redes participarem da minha preparação porque além de serem um entretenimento podem ajudar a revisar e interpretar”, diz.

Um dos grupos que Arthur participa começou com a iniciativa do professor de redação Victor Gabriel. Segundo o professor, o interesse em ajudar estudantes começou no seu tempo de escola, em grupos presenciais. Agora, com o auxílio da tecnologia, ele reforça os assuntos da sala de aula também pelo celular.

“Ainda aluno do ensino médio eu gostava de ajudar meus amigos por ter um conhecimento a mais em redação e humanas e eles terem alguma dificuldade. Com o grupo da rede social, eu posto coisas pertinentes ao cotidiano de estudos deles, filmes, notícias, questões de filosofia, literatura... que levem contribuição ao intelecto deles. Hoje independente de ser meu aluno, tendo meu número e precisando da minha ajuda para corrigir, tirar uma dúvida eu ajudo sempre que tenho disponibilidade. A internet maximiza esse poder”, destaca.

Fora das redes sociais, Victor leciona em escolas de Maceió, tem um projeto de aulas isoladas que inclui oferta de bolsas de estudo para alunos que não podem arcar com os custos.

“Depois de fazer faculdade de Letras, comecei o projeto de aulas particulares, nas casas dos alunos. Depois, eu resolvi ter um grupo fixo. Aí, criei um grupo no Facebook para alunos interessados em aulas de redação, alguns particulares e outros eu concedia bolsas de estudos. Nas turmas, são 20 alunos particulares e 10 bolsistas”, detalha.

CAUTELA

Apesar de ser adepto, o professor reforça que as redes sociais precisam ser usadas como auxílio para os alunos. De acordo com ele, ambiente virtual de estudos não substitui o real.

“O ambiente virtual pode estreitar laços, aproximar, mas nunca vai ser comparado ao ambiente real. Uma correção que eu faço pelo WhatsApp nunca vai ser igual a que faço olho no olho, com chance de apontar os erros pessoalmente. Sem contar que esse ambiente virtual pode proporcionar circunstâncias que tiram o foco dos estudos. Podem ser um instrumento de estudo, mas para acrescentar. Não supri as necessidades de estudo. É um complemento”, acrescenta.

O psicólogo Edberto Lessa diz que utilizar as redes sociais para os estudos pode se tornar uma armadilha. Ele faz um alerta para que os estudantes mantenham o foco nos estudos para não cair em distração.

“Na verdade, a rede social mais distrai do que concentra na atividade em si de estudo. É mais tentador fazer outras coisas. Às vezes, ele tá até estudando, mas se cansa. Aí, para um pouco para olhar outras coisas e, quando percebe, se passaram duas, três horas sem produzir conhecimento”, diz.

Lessa explica ainda que a tática serve como atrativo e que os estudantes precisam se conscientizar quanto ao uso. “Os professores fazem isso para que o aluno tenha mais uma ferramenta para acessar o conteúdo, para que ele se interesse mais. É uma situação que varia de pessoa para pessoa. A distração é tanta que algumas pessoas preferem se afastar das redes nos períodos mais intensos de estudos para não atrapalhar. É preciso se comprometer a manter o foco para usar as redes sociais de forma responsável”.

 

Tribuna Independente


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